• Nossa montanha-russa

    Nossa montanha-russa

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    A ideia – Tanzânia 2017

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  • Entrevista dada à TVE Jundiaí

    Clique na imagem abaixo: Entrevista para TVE Jundiaí

  • Belíssimo documentário feito pela TV Aparecida sobre nós.

    Clique na imagem abaixo: Queríamos tanto fazer um documentário sobre nossa viagem e fizeram por nós.

  • Na mídia de Jundiaí

    Na mídia de Jundiaí

    Depois de alguns meses da nossa viagem ainda repercute o que fizemos. E vejam que, mesmo achando que fizemos pouco, a motivação para as outras pessoas pode...

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Entrevista TV Aparecida

Queríamos tanto fazer um documentário sobre nossa viagem e fizeram por nós.

Depois de alguns meses da nossa viagem ainda repercute o que fizemos. E vejam que, mesmo achando que fizemos pouco, a motivação para as outras pessoas pode ser enorme, então, surge assim uma energia positiva que repercute a longo prazo e motiva outras pessoas a falar disso e a fazer algo também.

O que tiramos de ensinamento disso? Faça o que você pode e não tente mudar o mundo sozinho.

http://www.jj.com.br/noticias-26977-viagem-e-voluntariado-na-africa

kilimanjaro
No início de tudo escrevemos o que seria uma grande aventura para nós, do Projeto Pés Livres.
A grande aventura para nós não seria um grande esforço físico, uma montanha inatingível, um vôo sem precedentes, ou uma travessia de extensão jamais alcançada…
Nossa grande aventura se revelou muito mais do que nós mesmos esperávamos.
A montanha mais importante do continente africano entrou de vez em nossas vidas. Fizemos seu cume e quase que conseguimos derreter suas últimas neves com o calor que emanava de nossos corações a cada dia de expedição, a cada passo pole-pole (devagar e com cuidado, no idioma Suaili) do caminho de 6 dias entre o Machame Gate, a 1800 metros de altitude ao Uhuru Peak, a 5895 metros.
Papa Simba e Mama Simba, como éramos chamados pelo pessoal da expedição, chegaram ao cume do Kilimanjaro no dia 09/11/2015 às 7:15hrs da manhã de um dia aberto, frio e maravilhosamente azul. Nenhum dos dias da expedição foi tão claro e limpo como o dia do cume. Estávamos predestinados a ter uma experiência inesquecível nos dias seguintes… só podia significar isso!
A equipe que nos suportou na expedição foi um espetáculo a parte. Pode ser que seja nossa inexperiência com expedições dessa magnitude que tenham nos encantado mais ainda. Mas duvido que seja somente isso. Escolhemos desde o início interagir de forma diferente, de vivenciar não só a montanha, mas o convívio com o povo, com sua cultura, com sua comida, com sua forma de sorrir e de cantar.
E assim foi, nos divertimos como poucos.
Rimos com eles, invadimos sua barraca ao melhor do som do nosso brasileiríssimo Jorge Benjor cantando País Tropical, comemos sua comida, choramos juntos no desespero da falta de ar e cantamos juntos para nos motivar a dar o próximo passo no dia do ataque ao cume.
Resultado de tudo isso: nos tornamos amigos da montanha. E alguns que irão ler esse texto sabem do que estou falando, e os que não sabem deveriam experimentar. Amigos da montanha são para a vida toda. Difícil até de explicar em palavras. Chegamos a ser convidados para ficar na casa de um dos guias de graça, só pela amizade. E aceitamos. Passamos uma semana entre uma família que nos acolheu como se fossemos parte dos seus. E éramos, sei lá como explicar isso.
Saímos da montanha realizados, felizes demais, com muita energia para vivenciar o próximo capítulo que havíamos escrito por nós mesmo para nossa jornada na Tanzânia.
Mas não sabíamos o que a vida havia escrito para nós.
E neste momento dou uma dica importante: esteja preparado para deixar seus pés livres para mudanças. Absorva elas de modo que seja o mais proveitoso possível.
Quando havíamos planejado nossa grande aventura, depois do Kilimanjaro iríamos passar um dia em Moshi para conhecer as crianças carentes de uma escola de um projeto social, fazer um café da manhã e um almoço bancados pelo dinheiro do Projeto Pés Livres, que criamos, e depois nos embrenhar nas estradas da Tanzânia, de bicicleta, por 15 dias fazendo trabalhos voluntários pelo caminho até o Malawi, fronteira com o sul da Tanzânia.
Mas nos encantamos com as crianças e já de imediato queríamos mais.
Pedimos para conhecer o orfanato ligado à escola já no dia seguinte. Fomos lá e nossos corações jamais seriam os mesmos.
Mas a viagem de bicicleta estava programada e precisávamos seguir o cronograma que estava no nosso planejamento. A agenda era apertada e não dava para ficar mais nenhum dia em Moshi.
Como havíamos ficado um dia a mais em Moshi, decidimos pegar um ônibus para Morogoro e ganhar 500 quilômetros que deveriam ser pedalados em 5 dias e fazer o resto dos 1000 quilômetros de forma mais tranquila.
No caminho de ônibus fomos percebendo três coisas, a estrada era extremamente perigosa para estarmos pedalando nela, não haviam cidades e infraestrutura para nos receber e para fazermos as ações que queríamos com as crianças do caminho, e o principal, perdemos o tesão de estar na estrada pedalando depois do que vivemos com as crianças de Moshi.
Chegamos em Morogoro, conversamos e chegamos a uma conclusão, nosso lugar seria em Moshi pelos próximos 15 dias. Compramos passagem de volta para Moshi e já no dia seguinte estávamos de volta para continuar o que nos apaixonamos em fazer.
As semanas seguintes foram intensas de doação e entrega nossa às crianças.
Eu me dediquei a tarefas braçais e de ajuda com a infraestrutura, como consertar os 4 balanços que estavam estragados na escola, consertar as camas das crianças que estavam com problemas com insetos e precisavam passar por dedetização e limpeza e cozinhei. A Lu já se dedicou a tarefas mais ligadas diretamente às crianças, como ajudar nas aulas do orfanato, a cozinhar, a arrumar coisas e consertar livros. Demos e recebemos muito carinho. Dedicamos nosso tempo a viver com elas a forma como vivem, mesmo que superficialmente.
Tivemos a oportunidade de conhecer um pouco de tudo de um orfanato, suas dificuldades, suas necessidades e as coisas ruins de uma administração mal feita.
Fomos presenteados também conhecendo duas pessoas maravilhosas que fazem um trabalho muito dedicado com a caridade em Moshi. E através destas duas pessoas conhecemos um orfanato que está em fase inicial de criação e desenvolvimento. Ai conhecemos a forma correta de administrar um orfanato e do uso correto do dinheiro de outras pessoas que não podem estar lá, mas que estão com o coração e o bolso disponíveis para ajudar.
Fizemos nossa última ação em Moshi, compramos um kit básico de estudo para as crianças, um caderno, um lápis e uma borracha para cada uma das 40 crianças deste orfanato. Pequena ação que inflou mais ainda nossos corações de amor dados por eles ao receber o material. Esse kit servirá para eles iniciarem um projeto de aulas adicionais às da escola, que será dada por duas voluntárias, ex moradoras de outro orfanato de Moshi. Uma espécie de retribuição para quem ajudou elas a viver fora de um orfanato.
 Voltamos pra casa com a imagem de uma das meninas desse orfanato em nossa memória, como um elixir da voa vontade, como um combustível para o que temos que fazer.
Saímos modificados de Moshi, voltamos pra casa diferentes.
Estamos amando mais, estamos mais solidários, queremos mais para o próximo.
Queremos fazer mais e ter outras grandes aventuras como esta.