• Nossa montanha-russa

    Nossa montanha-russa

    Que a vida é mesmo uma caixinha de surpresas, eu já sabia, mas a nossa, ultimamente está mais para uma montanha-russa no escuro  e de olhos vendados....

  • A ideia – Tanzânia 2017

    A ideia – Tanzânia 2017

    Em Novembro de 2015, estivemos em Moshi para realizer um grande sonho: escalar o Kilimanjaro. E realizamos. Chegamos ao cume, mas o sonho parecia não ter terminado....

  • Entrevista dada à TVE Jundiaí

    Clique na imagem abaixo: Entrevista para TVE Jundiaí

  • Belíssimo documentário feito pela TV Aparecida sobre nós.

    Clique na imagem abaixo: Queríamos tanto fazer um documentário sobre nossa viagem e fizeram por nós.

  • Na mídia de Jundiaí

    Na mídia de Jundiaí

    Depois de alguns meses da nossa viagem ainda repercute o que fizemos. E vejam que, mesmo achando que fizemos pouco, a motivação para as outras pessoas pode...

Texto publicado em WebVenture

Após atingir o topo do Kilimanjaro casal desiste de cruzar o país de bicicleta por um bom motivo

No mês de novembro, dois aventureiros brasileiros, Rafael Eustachio e Luana Preterotti, embarcaram em uma viagem pela Tanzânia envolvendo montanhismo, bike e ajuda social. Mas os planos mudaram por um ótimo motivo.

Veja o depoimento de Rafael sobre como tem sido a aventura pelo país africano:

Quando cruzar a Tanzânia de bicicleta não é mais o mais importante

Por Rafael Eustachio

“O projeto Pés Livres e a viagem inaugural para África tinham dois grandes objetivos: atingir o topo do continente africano no Monte Kilimanjaro, como sonho pessoal, e levar positividade e alegria às crianças do caminho de bicicleta entre Moshi e o Malawi Lake, tudo na Tanzânia.

pes_livres..1

A primeira parte da viagem foi concluída integralmente. Foi duro, uma semana na montanha, sem banho, mas com uma atitude positiva e uma equipe fantástica na expedição. Para mim, a altitude se fez mais presente após os 5.000 metros. Sofri bastante e me senti bem fraco, mas a Luana estava nos meus pensamentos e, mais a frente, me fez ter força para subir os metros restantes.

Ela, por outro lado, estava curtindo tudo como se estivesse no nível do mar. É incrível como a altitude tem uma relação muito pessoal com cada pessoa. Cada um reage de forma muito individual com a altitude.

Já com a montanha, ambos estavam gostando demais de tudo aquilo. Nos divertimos demais com a equipe africana que nos suportou. Cantamos e rimos juntos e até quase choraram comigo no sofrimento da subida. No final, fizemos grandes amigos. Cada um entrou em nossas vidas de uma forma diferente, mas inesquecível.

25130112_g

O próximo objetivo seria, então, encontrarmos as crianças pela África. Antes mesmo de pegarmos nas bikes, tínhamos combinado de ir a uma escola em Moshi, onde iríamos, através do projeto Pés Livres e do dinheiro arrecadado com a venda dos nossos produtos, proporcionar um café da manhã e um almoço especial para 280 crianças, sendo dois terços delas órfãs.

Foi incrível e extremamente intenso para nós. Vimos a alegria deles com tão pouco a mais. Compramos farinha de milho, açúcar, óleo, sal, carne, arroz, temperos, melancia e sabão. Ficamos muito sensíveis a tudo isso e saímos da escola com vontade de fazer mais. Decidimos ficar mais um dia em Moshi e adiar em um dia o início do pedal. Fomos ao orfanato para conhecer e ajudar no possível. Ajudamos nas aulas e na cozinha. Nossos corações já não eram mais os mesmos depois disso.

Deixamos a emoção de lado. Teríamos que começar a viagem de bike. Como tínhamos resolvido ficar um dia a mais em Moshi no orfanato e a agenda era apertada até o Malawi Lake, resolvemos pegar um ônibus até Morogoro. No caminho sentimos que quanto mais nos afastávamos de Moshi, sentíamos vontade de voltar. Somados a isso, percebemos que a estrada era extremamente perigosa e que no caminho não teríamos o que fazer com as crianças, nosso principal objetivo.

25130130_g

Chegamos em Morogoro e já compramos passagem de volta para Moshi.

No dia seguinte chegamos em Moshi novamente e corremos para o orfanato. Lá tem aproximadamente 100 crianças, sendo que 30 órfãs que moram lá e outras 70 em regime de day care (quando passam o dia).

Passamos a fazer parte da rotina deles, consertando coisas, ajudando nas aulas, na cozinha e na compra de algumas peças de roupas em conjunto com outra voluntária e na compra de frutas para o jantar.

25130228_m

Outra ação que nos deixou muito entusiasmados em executar foi quando visitamos a escola no primeiro dia após a montanha e percebemos que o balanço deles estava quebrado. Tomamos aquilo como foco e deixei claro para o responsável da escola que não deixaríamos Moshi sem consertar os quatro balanços. Assim foi feito: compramos correntes e mandamos arrumar madeira e parafusos. Tudo comprado e combinado, consertei os quatro balanços da escola. Fiquei tão feliz e emocionado com as crianças brincando com os balanços que nos sentimos realmente como parte de algo muito grande por existir. Sentimos vida no Projeto Pés Livres e vimos que podemos executar, com pouco, grandes ações para as crianças.

Assim estamos entrando na nossa última semana em Moshi. Muita coisa ainda está por vir. Os corações estão cheios de emoção e planos. Queremos visitar outros lugares e conhecer outros projetos.

Aguardem!”

Texto publicado em

A poucos dias do início da nossa jornada nos sentimos estranhos, deslocados das coisas corriqueiras do dia-a-dia, sentindo que já não fazemos parte integral do mundo que vivemos.

Estamos prestes a entrar em um mundo diferente, onde o que importa é qualquer coisa e não muita coisa, onde o pouco é suficiente, onde o muito é compartilhado para atingir a muitos.

Em breve vamos descobrir o que significa Ubuntu. Em breve vamos aprender que: Eu sou por que nós somos.

Escrevendo esse texto 24 horas antes do embarque fazemos também uma reflexão do que se passou nos últimos 6 meses, data que decidimos enfrentar essa jornada.

Começou com uma mudança de planos, onde inicialmente iríamos para o Nepal e agora desembarcaremos na Tanzânia.

Conhecemos pessoas importantes, na hora certa e no lugar certo, que acreditaram no nosso projeto e nos deram energia adicional.

Dessas pessoas surgiram parcerias importantes, que contribuiram financeiramente, emocionalmente e se engajaram conosco para que o Projeto Pés Livres tomasse forma.

Com nossas idéias a flor da pele decidimos fazer algo que gerasse dinheiro para o projeto, sem depender de financiamento coletivo, ajuda financeira e de patrocínio. Surgiu a venda dos Cookies e Geléias e essa primeira atitude nossa proporcionará uma ação que julgamos importante em uma escola orfanato na Tanzânia, entre nosso trekking ao Kilimanjaro e a viagem de bike. Passaremos um dia inteiro com 280 crianças e proporcionaremos um café da manhã e um almoço para todas totalmente financiado pelos nossos cookies e geléias.

Essa idéia de financiar o projeto cresceu e com o apoio de uma agência de conteúdo criamos a identidade visual do Projeto Pés Livres e criamos mais alguns produtos como camisetas e canecas. Foi assim que formamos o nosso Pés Livres.

Percebemos o quanto conseguimos tocar as pessoas quando falamos do projeto. Nossa emoção e energia empenhados nisso fazem as pessoas pensarem o quanto gostariam de fazer algo semelhante e adiam por não saber por onde começar. E mais que isso, percebemos que as pessoas vêem em nós uma possibilidade de fazer algo diferente e que impacte alguém que precise.

Não achamos ruim isso, muito pelo contrário. Não são todos que estão preparados para ajudar o próximo, e nos incluímos nessa lista. Também não temos certeza se estamos, mas queremos muito e essa vontade nos move contra qualquer obstáculo e distância.

Não temos a intenção de que o Projeto Pés Livres seja visto como a única forma de ajudar a alguém. Na verdade achamos que essa é realmente e fielmente a forma que nós achamos de ajudar, unindo a paixão pelo esporte, pela natureza e pela vida humana. E é isso que queremos de cada um que nos acompanhar, despertar e inspirar para que encontrem dentro de si a sua forma de ajudar.

Com o projeto pronto e idéias novas na cabeça percebemos que estamos modificados e ansiosos para que comece logo a viagem.

Temos a expectativa, também, de atingir o cume dos 5895 metros do Kilimanjaro e de atravessar os 1500 quilômetros de bike na Tanzânia. Mas de verdade, o nosso cume e a nossa travessia interna estão nos sorrisos que queremos arrancar das crianças que cruzarão nosso caminho.

E daí recebemos uma mensagem, de alguém que nem nos conhecia, e só de ouvir nossas idéias, planos e objetivos, se emocionou e escreveu:

“Que seja único. Que seja leve. Que seja transformador.
Pés Livres. Coração aberto. Alma e mente em conexão.
Um novo mundo há de nascer.
Um novo Rafael, uma nova Luana. Uma nova razão de existir”

(Mensagem de Gisele Souza e Daniela Pulgen)]

As bagagens estão prontas, as das malas e as do coração.

Rafael Eustachio
Pés Livres

As mudanças de planos da dupla Rafael e Luana, do Projeto Pés Livres, geraram também um melhor aproveitamento de tempo. Eles aproveitaram três dias para realizar um Safari nos parques Serengenti National Park e Ngorongoro Crater.

A aventura garantiu observar os 5 maiores animais do mundo, ou “Big 5”: búfalo, elefante, leão, rinoceronte, leopardo. “Tivemos sorte de um leão estar muito próximo ao carro e finalizamos a viagem em uma das paisagens mais bonitas que já presenciamos, dentro da cratera de Ngorongoro”, conta Rafael.

Logo no primeiro dia, a dupla visitou uma aldeia Massai – grupo étnico africano, e conheceu as  casas, músicas e danças “e soubemos um pouco de como eles vivem e as suas crenças. Choque cultural tremendo!”.

Safari (1) Safari (2) Safari (3)

E com essa vibração positiva do pequeno turismo pelo safari africano, Luana e Rafael voltaram para o orfanato. Ela continuou ajudando nas aulas de matemática e inglês e a organizar os livros que eles recebem de doações. Já Rafael voltou a escola para, enfim, fixar os balanços que deveriam estar quebrados a um bom tempo.

Kilimanjaro children Foundation

Ele conta que foi uma aventura a parte finalizar o balanço, pois alguns materiais que compraram precisavam ser cortados e furados, como a madeira e as correntes, “porém quando voltamos do Safari ainda não estavam prontos. Correr atrás dos parafusos, aqui é mais difícil do que vocês imaginam, tudo acontece “pole pole” (devagar, African Time). Um serviço que demoraria 30 minutos, leva duas horas. Mas, hakuna matata. Os balanços foram colocados e tudo valeu a pena, as crianças brincaram na hora em que ficaram prontos”. Luana lembra o momento: “ o Rafa ensinou às crianças a balançarem de forma segura. Uma felicidade infinita nos olhos delas por alguns simples balanços.”

Recordando um pouco da história dos Pés Livres na Tanzânia, a dupla subiu o Monte Kilimanjaro, desistiu da viagem de bicicleta para ajudar integralmente a escola e o orfanato em Moshi, mas e agora? Parecia que sempre havia algo no coração de querer ajudar mais e mais. Eles estavam inquietos.

Então, por acaso ou destino, eles conheceram um casal americano que vive há seis anos em Moshi e estão envolvidos com outras instituições. Aproveitaram para conhecer o orfanato, Global Vision Orphanage, bem afastado do centro de Moshi, com aproximadamente 40 crianças, sendo que cinco delas são HIV positivo.

A estrutura do local ainda é bem precária e os quartos haviam sido construídos recentemente, porém não tinham banheiros suficientes nem energia elétrica. Faltavam também algumas camas e muitas coisas precisam ser feitas para oferecer mais conforto às crianças.

Enfim, Rafael e Luana deixam o espírito dos Pés Livres mais vivo do que nunca. Aquele sentimento de cooperação, de novos caminhos que escrevem suas próprias histórias. Histórias contadas com um passo de cada vez. Com pés que têm a liberdade de mudar o rumo e simplesmente caminhar para onde os bons ventos sopram.

Global Vision Orphanage (1) Global Vision Orphanage (2) Global Vision Orphanage (3) Global Vision Orphanage (4) Global Vision Orphanage (5)