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Roteiros servem para orientar, mas não limitar. Quando você embarca em uma viagem de mochilão, a proposta é decidir cada passo de acordo com o dia e a vontade. É ter liberdade para escolher.

Quando Luana e Rafael criaram o Projeto Pés Livres eles tinham a proposta de unir uma paixão – o esporte, com o voluntarismo. E lá estão, em plena Tanzânia, após subir (e descer) o Monte Kilimanjaro (veja aqui como foi).

O objetivo era percorrer um grande trecho de bicicleta até o Malawi Lake, parando por vilarejos e cidades, fantasiados de palhaços Táta e Cazé, levando esperança às crianças pelo caminho.

O ponta pé foi dado, na cidade de Moshi (base do Monte Kilimanjaro). Eles compartilharão alegrias com 280 crianças na Kilimanjaro Children Foundation durante alguns dias (veja aqui) e, na decisão de subir na bike e continuar o trajeto, a surpresa. Aquela surpresa que só uma viagem como essa te faz medir o valor da liberdade. “Sentimos que seríamos mais úteis aqui em Moshi, na escola e no orfanato. Sentimos vontade de fazer mais aqui do que fazer pouco ou nada, pedalando por aí. Estávamos sem tesão em pedalar por aquela estrada, que nos pareceu perigosa, com muitos ônibus e caminhões, que não respeitam as faixas, os espaços, não há acostamento e ultrapassam por qualquer espacinho que houver livre”, explica Rafael.

E assim, ambos decidiram que não fariam nada sem paixão. “Poderíamos ter pedalado, mas seria só para cumprir tabela, nosso coração tinha ficado em Moshi, com as crianças que conhecemos aqui no primeiro dia”, contou.

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E agora?

Estamos dormindo na Guest House (a casa dos voluntários, com alemã, sueca, dinamarquesa, brasileira, entre outras pessoas), trabalhando e ajudando no orfanato.

Eles contaram que há muito o que fazer por lá: “já compramos corrente para concertar os balanços das crianças, estamos arrumando as camas do orfanato que estavam com bichos e precisavam de veneno, a aplicação do veneno já foi realizada e agora vamos terminar de pregar as tábuas e colocar no lugar. Estamos ajudando as professoras voluntárias a ensinar matemática, onde as crianças têm muita dificuldade para aprender. Estamos tentando também, junto com elas, achar um método mais eficaz para ensinar os números e as cores para as crianças menores.”

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Aproximação

Luana e Rafael participaram da primeira eucaristia das crianças na Igreja Católica e todas ficaram felizes com a presença deles por lá. Foi uma missa com bispo e todo cerimonial.

O que esperar

Uma das maiores dificuldades para os idealizadores do projeto Pés Livres é conviver com a bagunça, sujeira, desorganização, desleixo. Por isso, há uma vontade enorme de mudar tudo, mas eles sabem que não irão conseguir.

“É muito frustrante não conseguir mudar muita coisa. Precisaria passar um ano aqui e ser responsável totalmente pelo orfanato. E mesmo um ano, talvez seria possível, são crianças que não tem a educação do pai e da mãe para depois reproduzir na escola. O que eles aprendem, aprendem na escola, com pessoas simples como eles. Pessoas que além de ensinar, cozinham, educam, limpam…Não dá. Melhor ajudar no possível.”

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Dala Dala

Essa aí é a Van deles (Dala Dala), sempre lotada ao extremo, em um dos passeios da dupla por Moshi para fazer compras (do bolso deles): camisetas, bermudas, vestidos, roupas confortáveis para as crianças brincarem. Frutas para o lanche da tarde de amanhã, afinal não é sempre que ele comem frutas.

 

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Depois de 6 dias de caminhada pelo Monte Kilimanjaro, a dupla Luana e Rafael está no momento “descanso” antes de subir na bike e percorrer os 1.300 km até o Malawi Lake. Os dois vão parar em comunidades pelo caminho levando esperança e alegria, incorporando os palhaços Táta e Cazé. Mas antes…

… pois é, antes de iniciar esse longo trajeto, ainda na cidade de Moshi, eles foram visitar a escola Kilimanjaro Children Foundation. Rafael contou que ajudaram a preparar o café da manhã e almoço. E olha que legal. “Nossas refeições foram pagas com o que conseguimos vender de produtos do Projeto Pés Livres, ainda no Brasil. Muito obrigado a todos que ajudaram”, lembrou Rafael.

Para a preparação do café e do almoço, o casal foi com o fundador e responsável pela escola fazer as compras:  açúcar, sal, óleo, milho, arroz, carne, melancia e temperos.

O cardápio para esse dia especial com as crianças foi, no café da manhã, mingau de açúcar, água e milho; no almoço, um arroz com carne, cenoura, tomate e temperos. Luana disse que “parece uma refeição simples e é, mas para as crianças, é uma refeição comemorativa, que só é possível com doações”.

Hora da diversão

No intervalo entre o café da manhã e o almoço, eis que surgem os palhaços Cazé e Táta. Foi uma surpresa e tanto para as 280 crianças da escola. Eles brincaram com mágica e, para finalizar, cada criança estampou o seu dedo indicador com tinta em nossa bandeira com o logo Pés Livres. Quer presente melhor para iniciar o percurso?

A escola

Fundada pelo guia de montanha, Lazaro Edward, conhecido como Teacher, essa escola e seu orfanato funcionam levando esperança para as crianças. A escola atende crianças de quatro a sete anos, que aprendem matemática, inglês, suaíli (língua local), ciências e geografia. Voluntários ajudam na educação, além da professora oficial da escola. Contribuições como a do Projeto Pés Livres sustentam a escola desde 2001.

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A frase do explorador Ibn Battuta, do século XIV, cai como uma luva para abrir esse texto: “Viajar: primeiro te deixa sem palavras, depois te torna um contador de histórias”. E aqui começamos o relato da Luana, logo após concluir 6 dias no Monte Kilimanjaro com o Rafael em 09 de novembro de 2015.

O Grupo

“Foram 5 dias de caminhada até o topo e 1 dia de descida para o portão de entrada do parque. Fizemos a Machame Route, mais ou menos seis horas por dia. Em toda a expedição, éramos 11 ao todo, Eu e Rafael, Caspar (guia), Dessy (assistente do guia) e mais 7 “porters”, carregadores subdivididos em cozinheiro, garçom e outras funções.

A Energia

Desde o primeiro dia o que mais nos chamou a atenção foi a alegria deles, a alegria com que cada se comporta diante de nós, turistas, e entre eles e o trabalho e a função de cada um. Tentamos desde o início interagir com eles não só como clientes de montanha e sim amigos e pessoas curiosas pela cultura deles. E conseguimos! Aprendemos músicas, palavras locais, soubemos um pouco da vida e história de cada um deles, comemos, mesmo estando na montanha, comida tradicional africana. E o mais importante, saímos da montanha com o sorriso inabalável deles, estampado em nossos corações. E foi essa energia que nos levou até o cume.

O Trajeto

Acordamos meia noite e preparamos os equipamentos para o cume: roupa para frio intenso, head lamps, luvas, óculos de sol para montanha e água. Foram seis horas subindo, em ritmo muito lento, com muito frio e neve, até o sol nascer e a emoção ser inevitável! Conseguíamos já ver o final da subida e provavelmente aonde estaria a placa indicando o cume, mas cada passo parecia demorar uma eternidade para acontecer. Existia uma diferença entre o reflexo da altitude em nós. No Rafael, a altitude se fazia presente de forma devastadora e em mim, nenhum efeito era visível. Fomos subindo separadamente, eu com um guia e o Rafa mais atrás com outro guia e o Joseph, nosso Tend Chief responsável pela cantoria no caminho do cume e por ajudar nosso Guia Chief no cume. Cheguei perto do cume, só com o guia e sem o Rafa, ele estava mais atrás e eu não tinha certeza se ele iria até o fim, mas mantive minha promessa de que pisaríamos no topo da África juntos! Continuei andando, mais devagar ainda, para não sentir frio e esperar o Rafa me alcançar.

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A Conquista

Às 7:15 da manhã, no dia 09/11, pisamos no Uhuru Peak, topo da África, com 5895m de altitude, um dos sete cumes mais altos do mundo.

A mensagem

A música que foi cantada o tempo todo para incentivar cada passo nosso é de arrepiar!

Jambo, Jambo bwana,

Habari gani,

Mzuri sana.

Wageni, Wakaribishwa,

Kilimanjaro Hakuna Matata.”

É isso. Agora a viagem parte para uma nova etapa, o caminho de bike por aproximadamente 1.300km até o Malawi Lake, levando alegria e crianças para as crianças no caminho. Entenda um pouco do Projeto Pés Livres neste link.