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    Clique na imagem abaixo: Queríamos tanto fazer um documentário sobre nossa viagem e fizeram por nós.

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Pés Livres - Um novo olhar que expressa o sentido

Texto publicado em WebVenture

Aventureiros planejam subir o Kilimanjaro e pedalar por 1.300 quilômetros no país africano

No mês de novembro, dois aventureiros brasileiros embarcam em uma viagem pela Tanzânia que envolve montanhismo, bike e ajuda social.

Luana Preterotti e Rafael Eustachio passarão oito dias subindo o Monte Kilimanjaro e 20 dias pedalando da base da maior montanha do continente africano até o Malawi Lake, um dos maiores lagos do mundo. No caminho eles irão arrecadar fundos para ajudar financeiramente instituições filantrópicas que fazem trabalhos voluntários na África.

Luana Preterotti e Rafael Eustachio passarão oito dias subindo o Monte Kilimanjaro e 20 dias pedalando pela Tanzânia.

Veja o relato de Rafael explicando como será a aventura:

Projeto Pés Livres

“A África nos encanta por diversos motivos, pela exuberância de suas paisagens, pela vida selvagem – que no nosso mais íntimo se assemelha com nossa vontade de viver – e pelas tribos que ainda vivem por lá, mas também nos deixa curiosos do motivo de tanta exuberância estar tão próximo do excesso de pobreza, da miséria, da fome e do descaso global.

Nossa motivação também passa pelos 5.895 metros do topo do Monte Kilimanjaro. Maior montanha do continente africano e com acesso simples – sem necessidade de equipamentos de escalada – o Kilimanjaro acende nossa vontade de escalar como escaladores, ou trekkers, amadores. São sete dias de caminhada, com mochila pesada nas costas e dormindo em barracas sem sabermos ao certo se tomaremos banho todo dia ou que tipo de comida iremos encontrar por lá. Desafiador, ainda mais com a chance de termos problemas com altitude.

Os dois pintarão os rostos de palhaços e ao chegar em cada vilarejo ou cidade irão abraçar as crianças que encontrarem. Foto: arquivo pessoal
Os dois pintarão os rostos de palhaços e ao chegar em cada vilarejo ou cidade irão abraçar as crianças que encontrarem. Foto: arquivo pessoal

Quando decidimos ir para o Kilimanjaro, minha companheira de vida e aventuras, Luana, olha para mim e diz: E se fizéssemos um pedal por lá depois do cume? Claro que aceitei na hora e o desafio seguinte era pensar em um roteiro.

O “vírus” do cicloturismo a infectou quando eu fiz um convite desses meio despretensiosos enquanto estava planejando minha viagem solo de bicicleta de Jundiaí/SP até a Ilha Grande na baía de Angra dos Reis, estado do Rio de Janeiro. O percurso passaria pela Serra da Mantiqueira e por lugares que sempre sonhei em pedalar, como a desafiadora serra que vai de Guaratinguetá até Paraty, passando por Cunha. Ela aceitou na mesma hora sem ao menos saber ao certo o quão desafiador seria. Tínhamos acabado de nos conhecer e imaginei que esse seria o início de grandes histórias.

Quando terminamos a viagem de bike até a Ilha Grande já nos questionamos no caminho para casa: Qual será a próxima? Eu falei: Quero romper os 1.000 quilômetros.

Bom, estávamos planejando um pedal pela África, mas queria romper os 1.000 quilômetros em grande estilo, pedalando pela Tanzânia.

Olhamos o mapa e achamos duas regiões interessantíssimas, o Mikumi National Park e o Malawi Lake. E para chegar nesses dois destinos, aproximadamente 1.300 quilômetros. Pronto, achamos nossa rota.”

A missão

“Nossa missão é fazer a diferença por onde passarmos. Na verdade, em qualquer lugar que estivermos, seja aqui no Brasil, do lado de casa, seja na África, a alguns milhares de quilômetros do nosso conforto.

Mas toda grande jornada começa com o primeiro passo. O nosso será iniciado na Tanzânia, onde, durante nossos dias pedalando, a cada escala da viagem, a cada vilarejo que passarmos, com cada criança que cruzarmos.

Na verdade temos duas missões. Primeiro a de arrecadar fundos para ajudar financeiramente a instituições filantrópicas que já fazem trabalhos voluntários na África. Duas instituições principais foram escolhidas por nós, a Save the Children, que desenvolve um trabalho voluntário por todo o mundo e nos lugares que mais nos interessam em projetos futuros, como o Nepal; e a Kilimanjaro Children’s Foundation, que desenvolve um trabalho específico com as crianças da região onde estaremos agora.

Esses fundos que serão doados para as instituições virão da venda de produtos “Pés Livres” como geleias artesanais, fotos, chaveiros, camisetas e outros objetos com logo Pés Livres, além de fundos oriundos de doadores afins com nossos ideais, como o projeto no site de financiamento coletivo, Catarse. A parcela direcionada para as instituições será de 25% do lucro líquido de tudo que arrecadarmos. Os outros 75% serão para viabilizar O Projeto Pés Livres em outros países.

A outra missão é levarmos nossa alegria e modo de vida para outras geografias, influenciando as crianças a pensarem que podem fazer coisas diferentes do que a sociedade as impõe cotidianamente. Iremos nos pintaremos de palhaços e ao chegar em cada vilarejo ou cidade abraçaremos as crianças que encontrarmos.

Queremos passar essa visão, de que é possível fazer algo diferente, nem que seja para levar um pouco mais de alegria e um modo diferente de ver a vida. Os personagens dessa aventura serão o Palhaço Cazé e a Palhaça Táta.

O objetivo do gesto simples de um abraço é doar um pouco do afeto que existe em nós e expandir a forma como enxergamos o mundo, mostrando um pouco da nossa filosofia e de como acreditamos que cada um pode sair da inércia que vive e de como um simples afeto, vindo do coração, pode escrever uma nova história.

Nossos pés, de uma forma simbólica, estarão em conjunto com os deles. Levaremos os pés deles conosco, deixando-os livres para voar.”

Pés Livres - Um novo olhar que expressa o sentido

Último treino em Itatiaia, no Parque Nacional, na montanha que nos recebeu de braços abertos durante nossos treinos para nossa grande aventura que se inicia em menos de um mês. Agradecimento especial para o Max (Maxisuwell) Cordero e Aline Podadera.

Travessia Rancho Caido – Itatiaia

Último treino em Itatiaia, no Parque Nacional, na montanha que nos recebeu de braços abertos durante nossos treinos para nossa grande aventura que se inicia em menos de um mês. Agradecimento especial para o Max (Maxisuwell) Cordero e Aline Podadera.

Posted by Pés Livres on Segunda, 5 de outubro de 2015

Pés Livres - Monte Kilimajaro

Texto publicado em

Diferentes espectadores dariam as mais diferentes definições sobre uma grande aventura.

Temos acompanhado diversos aventureiros fazendo coisas maravilhosas, atravessando o mundo de bicicleta, mochileiros eternos, viagens com menos de 1 dólar por dia, o escalador que sobe nu e sem nenhuma segurança, o nadador que atravessa o pacífico solitário, o remador de 100 dias entre céu e mar, o mesmo remador que resolve passar um ano com seu barco congelado. Tantas aventuras, tantas coisas diferentes, tantos Everest.

E qual é o nosso Everest?

Li há mais de 10 anos um livro que me remetia a essa reflexão: não só o cume do Everest interessa para o aventureiro. Além de cada um ter seu próprio Everest, cada um tem sua grande aventura. Viajar o mundo já é uma grande aventura, desde a descoberta do caminho, do planejamento da rota, do mapeamento das dificuldades. E não precisa ser uma viagem ao redor do mundo. O que envolve essa viagem e o que essa viagem significa para cada um é o que transforma uma pequena travessia em algo grandioso.

É com esse sentimento que decidimos desbravar parte do continente africano.  Nossa grande aventura é criar a própria aventura na descoberta do resultado de grandes interações entre o homem viajante e o homem local. Aliás, o nome Pés Livres, surgiu dessa vontade de interagir ao máximo com o ambiente que estamos inseridos. Se viajamos e não fazemos reservas de hotel, de passeios e de detalhes, a viagem já se torna uma grande aventura. A interação com as pessoas locais se torna uma experiência adicional e extremamente rica. Conhecemos pessoas diferentes, oportunidades aparecem, coisas que nenhum guia de viagem explica começam a acontecer. E essas experiências se tornam histórias que nunca mais esqueceremos e não ficam registradas em nenhum álbum de fotografias.

Nossa grande aventura não é tão grande aos olhos da maioria. Mas precisamos olhar com olhos atentos para ver a beleza de se aventurar por um continente pouco explorado e interagir de uma forma diferente com as crianças locais. É bem verdade que sabemos bem pouco de lá. Não sabemos o que iremos comer, onde iremos dormir, como são as estradas e como as pessoas nos receberão. Isto já é uma aventura, talvez.

Mas você consegue imaginar como seriam recebidas duas pessoas com as faces pintadas de palhaços? Talvez seja estranho né? Hoje quando vemos pessoas assim em um sinal de trânsito, pensamos que são vagabundos andarilhos pedindo dinheiro. Não queremos isso, é claro. E não somos assim.

“…as bicicletas abrem portas…”

Mas uma coisa nos diferencia muito disso. Ouvimos recentemente que as bicicletas abrem portas, que uma pessoa chegando em uma cidade andando é um vagabundo, mas uma pessoa chegando de bicicleta é um cicloturista, um aventureiro. É isso que queremos, sermos considerados exatamente da forma que somos, cicloturistas aventureiros.

E uma criança consegue resistir a um sorriso de um palhaço? Que aventura real é esta?  Ver um sorriso sincero se abrir para nós em cada chegada será o combustível para nosso espírito, que muitos chamam de louco, outros chamam de aventureiro e nós chamamos de espíritos livres.

Nossa aventura será então assim, viajar de bike pela Tanzânia depois de subir o Kilimanjaro a pé. Mas achamos que isso não será o mais importante.  A real grande aventura será o que levaremos em nossos corações através das pedaladas do nosso caminho e o que receberemos como retribuição por tentar dar amor a quem pode ter pouco.  O que traremos em nossos corações da África será a nossa grande aventura.

Rafael Eustachio
Pés Livres